Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010
Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010
Quinta-feira, Junho 18, 2009
Pirineus 2009
Naturalmente que esta foi diferente. Pela primeira vez foram mais que os habituais. Após as desistências acabaram por chegar ao vale do Rio Ara 20 canoistas portugueses. Cheguei no Domingo, acompanhado do Palavra, do Ramada e da surpreendente prima Teresa Costa. Depois de uma incursão a um vale francês onde acabamos por vir com 2 kayaks em mau estado, encontramo-nos com o resto da crew. Rumamos dia a dia para Este e acabei o fim de semana na Catalunha, no vale do Noguera Palaresa, para um encontro com os elementos do Team Pyranha. Agradou-me sentir que pode haver um pequeno Portugal longe de casa. Grato pela companhia de todos: o Joaquim que nada em todas as regiões do globo, o Miguel que aguentou 3 dias seguidos de rio, e a Marta que o aguentou a ele e a nós, o Luis, Carlos e Vilela que estão definitivamente uns prós no rio e na boa disposição, o Ramada e a Teresa braços direitos , a malta do CCABP, incansaveis na água e na "remendação" de kayaks, e o Palavra que recebeu o prémio "Bem vindo à Papelandia". O pró, não acertou uma linha sequer no Barranco do Palomeras. :) :) :) E finalmente um abraço para o pessoal do Team Pyranha Spain, especialmente o Andreu Falco que nos mostrou tudo o que a Catalunha tem de bom. Un saludo !!!
Os Pirineus são uma paixão galopante para férias. Penso seriamente comprar um palheiro e fazer 1 semana de neve no Inverno e outra de kayak no Verão. Talvez o vale do Noguera seja o mais versatil, mas para quem quer andar a pé, subir montanhas e respirar ar rarefeito o Vale do Rio Ara e a subida ao Monte perdido é um "must do".
Deixo-vos ficar com as imagens que têm um cunho muito pessoal e pouco abrangente, mas que será completado pelas reports do resto do pessoal. PS: desculpem (os que conseguiram comer) aquela "Michordia de Bacalhau" de uma das noites.
Nacente do Rio Palomeras. Depois de termos andado todos em bando, eu e o Palavra ficamos o fim de semana com o pessoal do Team Pyranha. Remamos o Alto Noguera, o Palomeras e o Salto de Pish, no vale do Garonne já perto de França. Pelas sete da noite de "voamos" e em 9 horas pusemo-nos em terras lusas.
Primeira vista do Rio Palomeras. caudal médio.
Mark abre canminho no autoclismo gigante.
Palavra escorrega, preparando-se para se escafiar novamente.
Eu, o capacete integral que deu bastante jeito, e a "camara filmadora" na cabeça.

Andreu, Palavra e Rabiço num dos passos mais loucos que já fiz em kayak.
Mais Palomeras. Fotos Palomeras por PIRATA
Descoberto recentemente para o kayak o "Salt deth Pish", são 8 metros de pura diversão. Em baixo Andreu, Rabiço e Palavra. saltamos até à exaustão.


Palavra e o seu estilo longilíneo, que fez as delícias das centenas de fãs que assistiam à descida.
Teresa Costa abre um passo clássico no Rio Ara. Mostrou aos rapazes como se fazia.
O pequeno Portugal no Rio Ara.
Tony Words em dia sim, cilindra a "Passarela" do Rio Ara.
Em viagem para o Gavarnie no Col du Turmalet. Uma famosa subida de 18 km e médias de 12 % de inclinação. etapa clássica da volta a França.

Tour de França em burro. Uma súbida ao Tourmalet muito mais pacífica.
Vale do Rio Ara numa das primeiras descidas do dia.
António, Ramada e Teresa, e a imensidão da montanha.
Sexta-feira, Maio 15, 2009
Sou um Rio
No passado fim de semana convidaram-me para palestrar sobre a canoagem e a minha relação pessoal com os rios num evento cultural em Mondim de Basto. Partilho convosco as minhas palavras. Por um Tãmega livre.
Rio
Eu sou um Rio
Sou uma catedral da água
Água
Sou uma igreja da gravidade
Fim das particulas
Gotas e areias
Rio
Eu sou uma viagem
Uma viagem onde haja um rio
Em lugar nenhum e em toda a parte
Sou um conhecer-te
Sou mil conversas com quem tamém és tu
Cá, ali, atrás daquele monte, naquela cordilheira
No Chile, na Suiça ou aqui mesmo Cabril
Rio
Sou um viver a cultura que encerras
As mil pessoas
Irmãs e desconhecidas que vivem e são como eu e como tu …. São um rio .
Sou uma comida de mil sabores
Sou uma festa
Sou uma noite a ouvir-te … incessantemente !
Rio
Eu sou um rio
Sou uma canoa
E sou levado na corrente, permanente, permanente
Sou hoje um regato, amanha um ribeiro, e depois um rio …
Sou um ser vivo
Um ser com personalidade própria
Independente na minha essência
Rio
Amigo e inimigo
Coverso contigo
Jogo contigo
Luto contigo
Muitas vezes em guerra contigo
Hematomas, arranhões, cieiro e Herpes e deslocações
Sempre vencido, sempre vencido
Rio
Eu sou um rio
Sou as primeiras chuvas de Outuno
Frias
Que me poêm as águas turvas
Sou os arcos alagados de uma ponte
Sou um céu carregado de negro
Sou um medo, uma angústia, um desconforto
Rio
Ontem também fui um rio
Fui as últimas águas da Primavera
Que me rebentam as nascentes
Que escorregam nas pedras limpas e quentes
E me poêm de cores brancas
No Maio
Sou a dança dos rápidos
Sou o verde dos salgueiros
Sou amarelo das Urzes
Rio
Eu sou as tuas rochas
Que te prendem e encalham
Sou os granitos do Rio Beça
Duros, lisos e lavados
Imensos
Sou mil piocas
Sou mil cascatas
Sou os Xistos do Rio Olo
Mais moles
E sou as tuas escadarias de àguas infinitas
Rio
Sou um rio desconhecido
Onde todos me vêm das margens
E onde poucos me percorrem as artérias
Sou o carro em contra-mão
Erratico e sistemático
Nas pontes
A cada instante
A olhar-te
Sempre, sempre, sempre ...
Rio
Sou as lágrimas das fugas e das perdas
Dos amores e ódios
Sou uma escola
Sou uma casa
Mil e um açudes
Sou o rio Tâmega, o Cabril, o Olo, o Louredo
Sou o Cabrão, Ribeira de Cavez de Fermil e Moimenta
Sou o Beça, sou Poio
Rio
Sou um Silêncio
Um silêncio na imensidão do teu ruido
Sou uma nota musical, uma pauta
Sou uma dança nas tuas àguas
Sou uma música
Rio
Eu sou um rio
Quinta-feira, Maio 14, 2009
Um Circuito de Imagens
E assim terminou. Foi uma espécie de licença sabática pedida ao Rabiço jornalista. Fevereiro, frenesim. Foi o mês mais caudaloso da época das chuvas 2009/2010, e como tal foi uma espécie de continuação do Janeiro, como se tivesse trazido o Chile pelas montanhas do Marão "adentro". Uma continuação da catarze permanente da Viagem. Março e Abril andei a "cirandar" pelos encontros de águas bravas e slalom. E depois meteu-se a escola de canoagem, uma espécie de anti-solidão pseudo-altruista. Para quem se tenha habituado a seguir frases e viagens neste espaço, desculpem o interregno.
O Circuito Nacional de Kayak Extremo - Portugal White Water 2009 foi um sucesso. Três provas, três rios, três comidas, três festas, três Viagens. Como sempre o que ficam são as interminaveis imagens. Alarguem as vistas e vejam o que fizeram um grupo de 50 amigos (numero de atletas que participaram em pelo menos 1 prova) nos três respectivos encontros, St. Rita Extreme - Fafe, Tamecanos 2009 - Mondim de Basto, Paiva Fest - Arouca. Marta Noval, classificou 3º (deixou mais de 40 canoistas para traz), Paulo Pires ficou e 2º (experiência, remada consistente, e muita boa vida) e eu com a ajuda o Karnali L, provei que o mais importante é ser regular. Venci.
Antes da segunda ponte, Fafe. A final a três deu raia logo no início. Embrulhei-me com o Rafael Pinto (Tamecano) e o Rui Moreira entrou na parte mais agressiva do açude e "ficou a peliçar" uns segundos preciosos o que me permitiu uns metros de avanço. Eu o Rui e o Rafael na cola.
O Sr. Pereira e o Sr. Castro posam para a fotografia com as suas principais fãs. Da Dona Leontina, da esquerda, diz-se que cantou no Ajuntamento Folclorico de St. Ovídeo, ganhando inclusivé varias prémios de melhor solista nos festivais de ranchos. Diz o Sr. Pereira entendido na arte de articular sons e manufactura de músicas, que já não há vozes como aquelas no país, e quase convencia Dona Leontina a dar uma ajudinha aos "berradores" oficiais dos No Name Boys. Diz que aquilo lá para baixo anda um pouco murcho.
Chamemos a este grupo o grupo da frente. A Martinha aparece desfocada na luta pelo terceiro lugar. No encalço Ricardo Invernadas, e Pires do Blocos. Apesar das caras estarem tapadas com pagaias, a imagem está muito dinãmica. Grande trabalho do fotografo Paulo Mota.
O passo é o mesmo. Chama-se "Caxão", mas a malta de além Mondego sempre lhe chamou "Tramolhão". É um desnivel de 4 metros que resulta de um estrangulamento natural, no final da garganta que separa os concelhos de Mondim de Basto e Celorico, antes de chegar à praia do Vau. Depois do "Caxão" eram apenas mais 300 metros até ao final, os atletas já tinham percorrido 3 km de águas bravas e mansas.Chamemos a este grupo um grupo do meio. Liderado pelo Henrique, e seguindo linhas aparentemente divergentes e de resultados nada positivos Chapi (18eCia) e Jarbas Lavagante Paulo Maia (Tamecano e uma espécie de Triângulo das Bermudas das pagaias), com o Vidabela na espectativa. Mais uma foto dinamica. Ver abaixo o resultado da brincadeira.

Esta imagem causa-me "espécie". Já tinha ouvido histórias de pessoal que descalçava o kayak de quando em onde antes dos rápidos. Pela primeira vez assisti. Antes do "Cachão" Joaquim Felix Mantilha viu-se livre desses dois objestos inuteis, Kayak e Pagaia, e nadou, agrafando-se na margem. Mítico.
Tony Words de cognome "O Pró", mostra o seu estilo agressivo. Pagaiada bem vertical, corpo ligeiramente inclinado para a frente. Prego a fundo até á primeira vitória numa prova no Rio Paiva.
Os "velhinhos" Calado/Benjamim talharam a sua linha de forma perfeita, nas Marmitas. Foram uma espécie de Safety Car da prova.
Arrastei comigo destes dias um sentimento de privilégio. Sou cada vez mais um contemplador. Esta água presa pela gravidade ao fundo de um vale dá uma luta e um gozo indescritiveis. Obrigado pela partilha. Vivam o Rio.










































